Revista Trilhos abre chamada para submissões para dossiê até o dia 15 de março

A Revista Trilhos, publicação do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (CECULT) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), abre chamada para submissões livres e para o dossiê Mobilidades, Controle e Resistência: Jornadas e Inclusões Diferenciadas até o próximo dia 15 de março.

A Revista Trilhos é um periódico interdisciplinar semestral, que tem como missão publicar artigos científicos e trabalhos não-acadêmicos que apresentem possibilidades de fluxos interdisciplinares na cultura, na arte e na ciência.

Segundo a publicação, “buscamos contribuições significativas e críticas sob re o pensamento social, cultural, artístico, científico e tecnológico, bem como seus relatos de experiências sobre processos criativos e metodológicos. A Revista Trilhos publica artigos, ensaios, resenhas, entrevistas, traduções, experiências em artes e literaturas, ensaios fotográficos, relatos de campo e de processos artísticos inéditos e originais”.

A primeira edição da revista, foi lançada em outubro de 2020.

O dossiê temático da próxima edição se interessa (mas não de forma exclusiva) pelos seguintes tópicos:

  • Jornadas migratórias diferentemente moldadas por marcadores sociais como classe, ‘raça’, gênero, etnia, nacionalidade, sexualidade, geração
  • Políticas de controle migratório e táticas de resistência
  • Intercâmbios e conflitos migratórios
  • A redefinição das espacialidades da urbe pelo “estrangeiro”
  • Formas de resistência cultural
  • Experiências artísticas e estéticas migratórias 
  • Desigualdades sociais e étnicas
  • Migrantes digitais

Dessa forma, o dossiê a ser lançado se interessa por discussões teóricas e empíricas que visam discutir as complexas relações que caracterizam os processos de mobilidade no atual contexto geopolítico.

Dossiê

Desde a década de 1970, avanços nos sistemas de comunicação e transporte facilitaram o desenvolvimento de múltiplas formas de interconexão de atividades de rede em todo o mundo (CASTELLS, 1996), estimulando mobilidades mais intensas (e diversas) de pessoas e objetos em territórios regionais e nacionais em um ‘mundo em movimento’ (URRY, 2000).

Como consequência, deslocamentos populacionais têm redefinido a geopolítica de inúmeros países e colocado em contato sujeitos pertencentes a diferentes nacionalidades, gênero, classe, religião, sexualidade, ‘raça’ e etnia.

No entanto, apesar dessa diversidade crescente, discursos populares e políticos, bem como muitos debates acadêmicos, continuam a oferecer comentários totalizantes e indiferenciados sobre os migrantes e a migração, frequentemente reproduzindo representações patológicas ou romantizadas do “migrante” como um “outro homogêneo”.

Longe de compartilhar uma experiência migratória homogênea, contudo, as jornadas migratórias são diversas e distintamente moldadas e ressignificadas por questões subjetivas e objetivas – o que Martins Jr chamou de “Jornadas diferenciadas” (2020). Além disso, as relações que se estabelecem e são negociadas em um “mundo em movimento”, caracterizam-se por paradoxos que indicariam distintas possibilidades de constituição de proximidade, distanciamento, intercâmbio e resistência, que subsistem sincronicamente.

Ao mesmo tempo, como indica Richard Sennett (2019), não se pode desconsiderar que aquele que “chega” não apenas se transforma, mas também gera profundas mudanças naqueles já “pertencentes” a uma dada localidade. Com isso, nota-se que o deslocamento não se reporta apenas ao aspecto físico, mas também ao perceptocognitivo.

Mais informações em revistatrilhos.com.

Source: UFRB

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